Setembro Amarelo: qual a importância? Como ajudar? O que fazer?

Vamos conversar um pouco sobre esse mês tão importante e necessário?

Apoio, amor e acolhimento são as coisas mais importantes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. É a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Só no Brasil, 32 suicídios ocorrem diariamente, média de 1 morte a cada 45 minutos. O número de mortes por suicídio só fica atrás de acidentes de trânsito. 

Se assustou com os dados? Nós também! São números extremamente alarmantes e preocupantes, que mostram a necessidade de discussão sobre o assunto. O suicídio pode parecer um ato extremo e solitário, até mesmo egoísta, mas não é. Pode ser prevenido com cuidados certos, acolhimento, amor, respeito e ajuda. Por isso, é de extrema importância o debate sobre o assunto. 

Mas, como falar sobre suicídio? Parece desafiador abordar um tema tão sensível, principalmente com alguém que já pensa sobre o ato. Muitas pessoas até pensam que conversar sobre o assunto pode servir como uma espécie de incentivo, mas não é verdade! Quanto mais se falar sobre o assunto, maior a chance de prevenção. 

Sente em uma posição confortável e respire fundo. Estamos juntos nessa! Vamos conversar um pouquinho?

Primeiramente…

É importante salientar que pessoas que falam sobre cometer suicídio tem 30 vezes mais chances de cometer suicídio. Isso mesmo, 30 vezes mais chances!! Sabe aquela frase que algumas pessoas dizem: “se quer se matar, não fica anunciando antes”? Não é verdade. Abandone essa frase agora mesmo se você é uma das pessoas que a utiliza. Perguntar sobre suicídio e oferecer ajuda não vai incentivar a pessoa a se matar. 

O primeiro passo é observar quantos sinais de alerta de suicídio estão presentes e entender se a pessoa precisa de ajuda. Aqui estão alguns sinais comuns de quem enfrenta o problema:

Fique atento aos sinais

Para conversar com alguém que tenha pensamentos suicidas, é preciso tomar alguns cuidados. A conversa precisa ser calma, com carinho e bastante atenção, afinal de contas, a pessoa está passando por uma batalha interna da qual não fazemos a menor ideia. Por isso, é importante praticar empatia e se esforçar para ajudá-la da melhor forma possível. Importante: você pode (e deve!) desempenhar um papel crucial ajudando alguém que está lidando com pensamentos suicidas, mas você não é um profissional e, por isso, há limites do que pode fazer. Aqui estão algumas dicas: 

  • Escolha um lugar calmo e confortável 
  • Separe um tempo suficiente para estar com sua atenção 100% na conversa
  • Seja paciente
  • Dê sua atenção total à outra pessoa 
  • Não seja duro demais consigo mesmo… Se sentiu que disse algo errado, não entre em pânico! 
  • Não interrompa ou ofereça uma solução para todos os problemas. O importante na conversa é ouvir 
  • Não tente empurrar suas próprias ideias sobre como a pessoa deve estar se sentindo… Deixe que ela fale, que ela explique, que ela demonstre… É um momento de acolhimento, não de discussão. 
  • Verifique se a pessoa sabe onde e como obter ajuda profissional e a incentive

Se você não faz ideia de como abordar, quais frases utilizar, como iniciar uma conversa, separamos aqui alguns exemplos de situações e frases (indicadas pela Clínica de Psicologia Eurekka)

O que dizer quando você escuta a pessoa falar coisas como “tudo seria melhor sem mim” 

  • Ultimamente, eu ouvi você falando umas frases que me deixaram preocupado, como quando você falou que as coisas seriam melhores sem você. Pode ser coisa da minha cabeças, mas eu fiquei preocupado e precisei te perguntar: você tem pensado em suicídio? Como eu posso te ajudar?

O que dizer quando você percebe que a pessoa está abandonando compromissos e pessoas

  • Eu percebi que você está diferente nos últimos tempos. Você está ficando mais em casa, parou de fazer seu curso, não está vendo seus amigos… E eu estou bastante preocupada que você esteja pensando em cometer suicídio, ou que esteja passando por outros problemas. Eu sei que pode ser só coisa da minha cabeça, mas eu precisei falar com você porque eu me preocupo muito. Está tudo bem? Posso te ajudar de alguma forma?

O que dizer quando você percebe que a pessoa está fazendo coisas para se despedir da vida

  • Então, eu percebi que você doou aquele livro autografado e passou um tempo escrevendo algumas cartas para pessoas… Percebi que você tem se despedido e eu sei que pode ser apenas coisa da minha cabeça, mas, estou preocupado. Você está pensando em suicídio? Está tudo bem?

É importante perceber que a abordagem deve ser feita de maneira calma, passiva e com um tom de preocupação. A pessoa precisa se sentir acolhida, sentir que tem em você um local seguro para conversar, desabafar e pedir ajuda. Pode parecer desafiador, mas é extremamente importante. Além disso, sempre incentive a busca por atendimento profissional. 

Apesar de dados alarmantes e preocupantes, nem tudo está perdido. Ainda podemos reverter esse quadro e precisamos de você, da sua ajuda e da sua atenção para conversar com pessoas que estejam passando por momentos difíceis. Segundo dados da OMS, 9 em cada 10 mortes por suicídio podem ser evitadas. Faça parte, abrace, ame, ouça, brinque, converse, acolha… o mundo precisa de amor e empatia. Precisamos parar de tratar o assunto como tabu. 

Se você é a pessoa que está lidando com pensamentos suicidas, temos um post especial para você. Lembre-se que você pode conversar com alguém do CVV (Centro de Valorização a Vida) pelo número 188 ou acessar o site www.cvv.org.br 

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Funciona 24h por dia, todos os dias por telefone, e-mail e chat. 

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